Infinito: Que não tem fim; sem limites ou medidas


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Monday, April 03, 2006
Alma Mater

            Um pequeno homem ergue-se do ventre da terra e, lentamente, levanta os olhos ao céu; um céu brilhante pleno de cor e força, reflexo da paixão nos olhos desse pequeno homem.

A força de uma vida ergue-se pela primeira vez nesse pequeno homem para um mundo desconhecido que, aos poucos, o irá espantar, encantar, espancar e embalar e, finalmente, reclamar de novo para a terra de onde saiu pela primeira vez esse pequeno homem.

E, durante o breve instante da subida, a força de uma alma, desse pequeno homem, será suficiente para transformar água em fogo e fogo em água como quem transforma o amor em ódio e a paixão em desespero e o desespero em paixão e o ódio em amor desse pequeno homem por esse pequeno homem.

Um pequeno momento de eternidade, uma pequena chama que vagueia pela imensidão do mundo, desse pequeno homem, e onde outras pequenas chamas vagueiam e dançam e cantam e juntas fazem fogo de pequenos momentos de eternidade, força dessas almas desses pequenos homens.

E, nesses pequenos fogos desses pequenos homens outros pequenos fogos de outros pequenos homens surgem e crescem e desaparecem, como desaparecem os pequenos homens na terra onde aparece esse pequeno homem.

E são esses pequenos homens que aparecem, crescem e desaparecem na terra onde aparecem que as forças das almas forjam a alma maior onde dançam todas as grandes almas desses pequenos homens. É nessa alma maior que a grande alma desse pequeno homem se encontra e reencontra com outras grandes almas de outros pequenos homens e em conjunto aprendem que as grandes almas desses pequenos homens são parte do todo que é a grande alma desses pequenos homens, maior que a alma desse pequeno homem dentro das almas desses pequenos homens, incompleta na sua completude, perfeita na busca pela sua perfeição. É a alma da terra desses pequenos homens que são a terra da alma, mãe de todas as coisas, filha da alma desse pequeno homem.


Posted at 15:47 by Infinito
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Wednesday, March 02, 2005
O dia em que as flores comeram os pássaros

Olá pequena flor! Em tempos fui um pássaro. E voava, sabes?! Todas as manhãs, ao nascer do sol, esticava as minhas pequenas asas e lançava-me feliz pelos céus, ao sabor dos ventos e da minha vontade. Ah! Como gostava de subir bem alto, até ao sítio onde quase nada há e a terra mostra a sua forma redonda e o ar finalmente mostra sinais da sua existência ao fazer tremer as pequenas figuras, lá em baixo, na terra distante. Como gostava de voar por aí e descer em seguida e ver as pequenas manchas coloridas transformarem-se em árvores e animais e flores e lagos e vida... Lembro-me de uma dia em particular: um dia especial diferente de todos os outros e ao mesmo tempo tão igual. Foi nesse dia que deixei de voar! E sabes que foi também o dia em que voei mais alto? Porque também os pássaros sonham e também os pássaros tentam passar as suas fronteiras e ir mais além! Mas deves estar a perguntar o que pode fazer um pássaro deixar de voar... Nesse dia em que voava tão alto vi, perfeitamente, uma flor. Uma florzinha no meio dos vastos campos da terra, perdida na sua imensidão e tão visível deste lugar como se estivesse a duas ou três asas de distância. Como pode uma pequena flor ser visível a tão longa distância? E logo hoje, que tão alto voo e nada deveria ver? E parece que brilha, não apenas com a luz do sol reflectida em si, mas que das sua pétalas delicadas emana um brilho próprio. Estarei ainda a sonhar? - pensei - E nos meus sonhos imagino este voo e esta flor? E sonharei também a sensação do vento a roçar nas minhas penas e o sol a aquecer a alma e o brilho daquela florzinha a aquecer-me a alma ainda mais que o sol? Seria difícil sonhar tudo isso... Lentamente, inclinei-me para ti e começei a descer, lentamente, em círculos cada vez mais baixos, cada vez mais próximos. E na minha descida vi outros pássaros a descerem para outras flores. No entanto a maioria das flores não atraiam os pássaros e a maioria dos pássaros não eram atraídos para as flores. Então, finalmente, no fim de uma descida que me pareceu eterna, pousei. Primeiro na terra perto de ti; em seguida, num acto de coragem inaudita, pousei numa das tuas pétalas e comigo outros pássaros pousaram noutras pétalas de outras flores. Nesse momento, quando a tua beleza mais se revelava a mim, algo aconteceu: Inesperadamente, as flores comeram os pássaros! Ninguém estava à espera que as flores nos comessem! A verdade é que ninguém tinha visto uma flor fazer outra coisa que não fosse crescer e mostrar-se à luz do sol. E, no entanto, nenhum pássaro chorou a sua sorte. Até hoje ninguém sabe porque nos comeram as flores. Há quem diga que as flores tanto nos amavam que nos quiseram conservar eternamente com elas; outros, sustentam que seriam as flores que se queriam tornar pássaros; outros ainda dizem... mas que interessa o que dizem. Gostaria de saber o que dizes tu e tu não me dizes nada. Gostava de voar de novo, penso por vezes. Agora os meus voos são como os teus. Voo na tua imaginação e na minha vontade de voar tu voas sempre ao meu lado. Sempre ao meu lado! Mas as flores não voam e assim não voo eu, que me tornei flor deixando de ser pássaro, por amor. Porque é essa a minha verdade; porque quando poisei sobre as tuas pétalas foi mais que a tua vontade que me comeu, mas o amor pelo amor que nos completou assim, desta forma. Eu, com um pouco da magia de ser flor; tu, com um pouco dos meus voos nos céus azuis.

Posted at 16:38 by Infinito
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Wednesday, February 23, 2005
Hoje tudo se confunde (2ª parte)

Ter frio e não tremer
Ter vontade e não rir
Tendo fome, não comer
Não ter sono e dormir
Ter sono e não dormir
Ou não gostar e fingir
Que gosto. Ou viver
E fingir que durmo?
Viver sem ter um rumo,
Sair sem saber onde,
Chegar sem ter partido
Rumo ao desconhecido
Desconhecer o sabor do sal
De um beijo. Normal
ter tal desejo?
E as lágrimas, que não vêm
Quando as chamo?
E o nome que não escrevo
Por se ter feito profano?
Por perder, perder-te assim, a vida
Antes de dar me perco eu
Não perco a alma sem o corpo
Que o corpo e a alma sou eu.

Posted at 12:33 by Infinito
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No metro

No metro, a imagem de um casal reflectida na janela torna-se por momentos real aos meus olhos. Tudo à volta se desvanece enquanto o reflexo toma vida e a rapariga encosta a cabeça ao companheiro e fecha os olhos, como se os olhos a pudessem distrair da magia fugaz do momento. O rapaz olha em frente, através de mim, para o infinito, alheio ou a fingir alheamento, esperando a passagem do tempo. De repente, a ilusão desfaz-se na serenidade da pergunta da rapariga que, abrindo os olhos e desencostando a cabeça, diz: “E a tua namorada?”
E o encanto desfaz-se e a realidade volta a ser ela mesma. Largo a visão agora obscura da janela e fito, curioso, os olhos dela na procura de vestígios de tristeza. Nada encontro senão a simplicidade da pergunta. Sem tristeza, sem alegria, sem dor, como se o vazio de si se torne a solução última para enfrentar a realidade.
Impressiona-me!
A mim, que momentos antes olhava a imagem de dois namorados e transmutava cada um deles noutras figuras do passado e criava a fantasia de um futuro impossível; desses dos caminhos de que nos afastamos, ou de que nos afastam. E nessa impressão foge-me a fantasia da memória e invade-me a compaixão na empatia pela rapariga. Na sua calma devolve-me o vazio que espero também ser meu, um dia. Olho mais uma vez os dois à minha frente: a cabeça encostada ao banco, o braço sobre o regaço e a voz, muda, em coro com a do rapaz. Em silêncio levanto-me e deixo para cada um a intimidade da escolha dos seus caminhos. E que tenham a possibilidade de os escolher...

Posted at 12:18 by Infinito
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Sunday, January 30, 2005
Mudança

Este texto foi escrito numa altura em que a razão conseguia já tomar conta de alguns dos sentidos, numa fase após-angústia. Chamo-lhe mudança por isso mesmo: Por ter já a autonomia de viver a minha vontade.


"Recordo o dia em que a palavra emudeceu e como descobri, mais tarde, ser esse silêncio o aumentar da distância de nós. Descobrimos que o sentido das coisas são o desejo comum de duas vontades. Nesse dia a dissonância dos sons fez-se sentir, entrelaçados em grossos nós na boca de cada um. As mãos afastaram-se e encontraram o vazio no fim da sua procura, por não mais se procurarem.
...caímos...
Na aflição da queda suportámo-nos no mar salgado que jorrou de nós e nadámos para as margens secas de duas praias distantes. Mais tarde, quis falar-te de amor e de saudade e soube que já não me entendias. Tentaste dizer-me de ti e não te entendi mais. Na distância de nós gerámos mundos diferentes, quando se quebrou a força que nos aproximava e nos chamava mutuamente. Construímos duas verdades e avançámos nos nossos caminhos e quando olhei em redor e não te vi, procurei-te no passado e vi os meus passos ao longo de muitas milhas e a encruzilhada onde nesse instante nos tornámos dois, há muito desaparecera no outro lado do horizonte.

Posted at 14:28 by Infinito
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Friday, January 21, 2005
Entardecer

É tarde o momento da procura. É já tarde o instante em que os braços se estendem na procura cega da ausência, de ti. É tarde quando a água salgada percorre o murmúrio abafado de um soluço, no deslizar de um sulco suave, feito rio ziguezagueante, brilhante no anoitecer do mundo, quente no despertar do sono. É tarde, também, quando o vazio da palavra preenche o silêncio da alma, esgotada e a embala na canção muda do que já não é. É tarde, e as estrelas brilham, lá em cima, onde reina a noite. O sol desapareceu e apenas a luz estéril da lua reflecte a sua imagem, na lembrança vaga do dia que passou. É tarde. É tempo de sonhar!... O riso partiu outrora de tantos olhos e bocas e mãos, no despertar do dia... O riso partiu e veio o silêncio da contemplação. As danças rodopiantes de duas mãos estendidas no ar, abraçadas na força da paixão, desvaneceram-se na memória. Os olhos, que antes não viam, recusam-se agora a ver mais. Tudo muda ao entardecer. ... E a procura do infinito na doçura de um beijo... de tantos beijos... E o infinito da noite tornou-se a ausência de uns lábios entreabertos em busca do toque suave da alma que, ainda agora, aqui estava. É tarde e o dia chegou ao fim. É tarde e os sonhos de ti aguardam-me no esquecimento breve da noite, até à loucura de um novo despertar.

Posted at 14:07 by Infinito
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Tuesday, January 11, 2005
Inquietude

Ia já tarde o dia e procurava ainda a serenidade perdida. A inquietação perseguia-me, não na forma física de um corpo, claro. Mais na figura etérea de um fantasma, que se deixa pressentir mas não ver. Busquei toda a manhã, nos arquivos recentes da memória, por acontecimentos que a tivessem despertado e todos eles me pareceram sem importância, incapazes de, por si, me levarem a tal estado. Vi-me então, caso pouco comum, na determinação da procura. Onde buscar os motivos senão em mim? Lembrei-me de olhar para outras almas, estas físicas, que me rodeavam. Estaria nelas a inquietude que me desocupava o espírito do sem-numero de pequenos nadas habituais? As suas expressões eram diversas: cansaço, tristeza, introspecção, alheamento ... Como avaliar a inquietude? Ali, ali mesmo, aquele olhar que se cruza, à vez, com tudo o que acontece nas proximidades. Será consequência dessa agitação interior? Os olhares cruzam-se, inevitavelmente, como sempre acontece quando duas procuras se unem num objectivo comum. Olho e olha-me e antes que o reconhecimento de cada um se evidencie no outro, afastamo-nos, no olhar, para as antípodas de nós. Não sei que inquietação, se a tinha, se mostrava na sua procura e ainda hoje não sei o motivo porque me perseguia a mim uma outra inquietação (ou talvez a mesma, quem sabe) Entendi-me na ilusão de reconhecer noutro o que me conduzia a mim e foi no desentendimento de cada um divergimos nos caminhos do olhar. Talvez fosse esse mesmo o motivo: a ausência de acordo no interior de mim, quando o olhar interior buscava coisas alheadas do meu conhecimento das coisas. Enfim, antes assim que pior.

Posted at 16:57 by Infinito
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Friday, July 30, 2004
Um breve despertar

Andava esquecido dos sonhos, perdido numa realidade fingida em que me pensava encontrar. À força de uma imaginação adormecida, vagueava sem rumo e as pontes que ligavam as duas margens de tantos rios levavam-me, num circulo infinito, a um novo recomeço.
Assim andei, por tanto tempo quanto mo permitiu a vitalidade desse corpo imaginado até que, faminto de companhia humana, despertei os sentidos, um a a um, para que fosse maior a força do despertar.
Já desperto, procurei outros homens, como eu, para lhes contar dos meus sonhos e vagueei, desperto, pelos caminhos que antes percorrera adormecido, até encontrar quem procurava. Falei-lhe longamente sobre mim e fi-lo conhecer aquela realidade fingida em que me encontrava. Quando terminei, disse-me não me ter entendido. Olhei para ele com olhos de espanto e tentei recomeçar a minha história. No momento em que principiava a falar, vi-me silenciado pela voz daquele que durante tanto tempo me ouvira em silêncio. No seu longo discurso, ali iniciado, falou-me de mundos que eu não conhecia e que ele percorrera e de uma realidade, sua, que me era estranha. Falou longamente e pacientemente o ouvi, a falar desse mundo distante. Quando terminou olhou-me em busca de reconhecimento e eu, num encolher de ombros, disse-lhe não o entender. Penso que foram olhos de espanto, aqueles que me olharam enquanto me virava e principiava o caminho de regresso aquela realidade fingida de onde partira.

Posted at 17:34 by Infinito
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Thursday, May 20, 2004
Um sonho

   Procuro-te!

Imagino–te, na tua ausência de mim, como a brisa da manhã, fresca e leve, a rodopiar alegremente em meu redor.

Imagino que és o vento norte que impulsiona a vela dos navios, animando as velas de vida, em busca dessa ilha onde estás tão distante. Tão distante!

Fecho os olhos e imagino o som das velas e dos cordames a ranger e estalar na sua ânsia – na minha ânsia – de me levar até ti. Forço o chão a ondular, embalado nas ondas suaves do mar, e preencho os céus de pássaros, asas brancas a sustentarem–se nas correntes do céu, a guiarem o seu destino na felicidade de mergulharem em ti. E nesse caminhar para ti imagino o teu rosto, na distância, a sorrir, enquanto o meu navio imaginado se aproxima.

Estás a sorrir?

Como é belo o teu sorriso!!

Num impulso, corro para a proa, estendo as minhas asas imaginárias, asas de vento, e lanço–me aos céus azuis, prenhes de vida, cheios de ti.

O ar agita–se, sustenta–me uns instantes e ameaça despedaçar–me nas ondas furiosas que se levantam no mar pela força das tempestades e furacões que, de tempo a tempo, se abatem sobre nós: eu e os pássaros. Por vezes é difícil manter o rumo. Por vezes, a imaginação cansa–se de bater estas asas de vento, que me sustentam no ar, em ti. A vontade de atingir o meu destino, essa, é mais forte...

Subitamente, abro os olhos. Uma gaivota, a mesma a quem tantas vezes pedi que me levasse as minhas mensagens até ti, poisa na janela à minha frente. Na sua voz rouca fala–me do eco do teu riso cristalino a atravessar as nuvens, em busca do sol; fala–me do som dos teus passos a ecoar no vazio do lusco–fusco do anoitecer, quando regressas a casa; fala–me do verde–mar que se reflecte nos teus olhos, como se cor te rodeasse, como se mar te amasse.

Peço–lhe que volte para ti; que te acompanhe no teu caminho; que te diga um “Estou aqui” quando te sentires perdida no vento forte. E estou mesmo. Aqui, perto de ti.

Onde mais poderia estar?


Posted at 16:23 by Infinito
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Tuesday, May 18, 2004
Vazio

Com o tempo habituamo-nos ao vazio!...
Sinto, por vezes, uma vontade louca de rir, de despejar no riso a consciência da caricatura de nós. Quero mostrar, com o riso, que não me entrego à passividade do deixa andar e do nada posso fazer para mudar. Uso-o para mostrar que podemos, pelo menos, tomar consciência de nós, do que nos acontece.
Não é, na verdade, uma habituação ao vazio. Não me revejo nele mas aceito-o enquanto inevitável no momento. Anima-me saber das opções disponíveis (ou que parecem disponíveis, abençoada as ilusões) e saber-me de ideais. Acima de tudo isto, antes livre no vazio que escravo na posse do que não é perfeito, até porque a nossa perfeição é humana, não divina. Adapta-se a nós, à nossa humanidade, completa-nos. A procura por ela é, no entanto, um caminho escuro (cegos tacteando a escuridão). Por vezes seguimos caminhos menos bons, caminhos que nos afastam de nós. Por vezes temos que voltar atrás e esse retorno não é fácil. Quantas vezes desejamos continuar no impossível, preferindo a ilusão de alguma coisa à perda de tudo o que se fez, conseguiu.
As mãos procuram o que os olhos não vêm. Buscam, quantas vezes em desespero, um ponto de apoio à viagem, agarrando o vazio uma e outra vez. Por vezes criam a miragem de alguma coisa, apalpam-na e procuram não a perder. Por vezes a força da vontade suporta a ilusão durante tanto tempo quanto a força do desejo o conseguir. Inevitavelmente se dá a dissolução no nada. Inevitavelmente vem a dor da perda do que foi.
Inevitavelmente o riso de nós e o início inevitável de uma nova caminhada.

Posted at 17:08 by Infinito
Comments (2)  

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